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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Shirin Neshat: Women of Allah (1993-1997)

Shirin Neshat (n. 1957) é uma artista iraniana a residir atualmente nos Estados Unidos.

Neshat cresceu num Irão anterior à revolução de 1979, onde as grandes cidades prosperavam e imperava um clima de grande abertura ao exterior. Ainda jovem, foi estudar para os Estados Unidos, como era frequente acontecer nas famílias mais abastadas. 

Quando quis voltar ao Irão, não lhe foi permitido, só obtendo autorização para visitar o seu país natal em 1990. 
Nesta visita, encontrou um país completamente diferente daquele que havia deixado, profundamente transformado pela revolução islâmica. A condição de mulher estava agora determinantemente condicionada pelo regime, que ditava e regulamentava a conduta das mulheres, consigo mesmas e com o mundo. 
Aquando desta visita, foi obrigada a usar o chador, o pesado véu negro que a cobria da cabeça aos pés e que, até então, desconhecia como sendo uma obrigatoriedade para as mulheres, particularmente no espaço público.

Esta inquietante experiência, a obsessão pela pátria inacessível e sensação de não pertença ao novo país foram determinantes para o desenvolvimento da prática artística de Neshat, construindo um trabalho que entende, acima de tudo, como um discurso sobre si mesma.

O seu trabalho está relacionado com a sua condição de mulher iraniana forçada ao exílio.


A série 'Women of Allah', realizada entre 1993 e 1997, é composta por fotografias a preto e branco, de tamanhos distintos, com aplicação de tinta por cima da maioria das imagens. Quatro elementos com grande carga simbólica são recorrentes nesta série: o olhar, o véu, a escrita e a arma.




I am its Secret, 1993





Offered Eyes, 1993





Allegiance with Wakefulness, 1994





Guardians of Revolution, 1994





Identified, 1995





Untitled, 1996





Whispers, 1997







Bibliografia e fonte das imagens:


AZARI, Y. & AZARI, S. (ed. lit.). (2005). Shirin Neshat. Milano: Edizioni Charta.
DANTO, A. C. & ABRAMOVIC, M. (ed. lit.). (2010). Shirin Neshat. New York: Rizzoli International Publications.
ZAYA, O. (ed. lit.). [et. al.]. (2005). Shirin Nehsat: La última Palabra. The Last Word. León: MUSAC; Milano: Edizioni Charta.

sábado, 19 de abril de 2014

Fernando Lemos

Fernando Lemos (n. 1926) é um artista português, nascido em Lisboa, a viver no Brasil desde 1953 (devido à sua oposição ao regime de Salazar), e naturalizado brasileiro por volta de 1960.

A sua atividade passa pela pintura, o desenho, a gravura, as artes gráficas, a poesia e a fotografia.

Realizou as primeiras fotografias em 1949, em Lisboa.

Muitas das imagens de Lemos estão ligadas ao movimento surrealista, particularmente pelos meios usados e pelos resultados alcançados. Com frequência recorria a técnicas como a exposição múltipla, a solarização, sobreposições, impressões em negativo e positivo, criando imagens compostas por diferentes fragmentos de outras imagens.




Eu (Auto Retrato), 1949


"Um auto retrato é sempre uma forma de revelação. Por definição revelação do próprio, tanto espelha aquele que representa como codifica a presença deste em práticas operativas que se inscrevem em lógicas plásticas concetuais, ou de subversão da própria representação."
JO, Maio de 2010, em http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?article=63899&visual=2&langId=1
[Consultado em Abril de 2014]






Luz do Olhar, 1949






Sara Valle, A Fronteira do Teatro, s/d






Augusto Figueiredo, A Recusa, 1949






Sofia de Mello Breyner, s/d






Hilda Hilst, s/d






Intimidade no Chiado, 1949






Mário Cesariny, s/d






Alexandre O'Neill, 1949




Fonte biográfica: aqui e aqui.
Fonte das imagens: aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Outras fontes: Ferreira, Célia. (2009) Sobre a Fotografia de Fernando Lemos. Via https://iconline.ipleiria.pt/bitstream/10400.8/207/1/art7_ferreira.pdf [Consultado em Abril 2014].

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Cindy Sherman

Cindy Sherman (n. 1954) é uma artista americana que trabalha, essencialmente, com recurso à fotografia e ao filme.

Sherman figura nas próprias imagens. Encarnado diferentes personagens (com recurso a perucas, adereços e próteses), Sherman levanta uma série de questões relativamente ao papel e à representação da mulher na sociedade, nos meios de comunicação, na cultura e na arte.

O seu trabalho apresenta uma exploração sustentada, eloquente e provocadora relativamente à construção da identidade contemporânea e à natureza da representação. É neste sentido que as suas imagens criam pontes com imagens do cinema, das revistas, da televisão, da internet e da história da arte. 

Para criar as suas fotografias, Sherman assume uma multiplicidade de papéis: fotógrafa, modelo, maquilhadora, cabeleireira, figurinista, estilista, etc. As perucas, as roupas, a maquilhagem, as próteses permitem criar diferentes personas e personagens, em fragmentos de espaço-tempo cuidadosamente construídos.





Untitled Film Still #14, 1978






Untitled Film Still #17, 1978






Untitled Film Still #193, 1989






Untitled #199-A, 1989






Untitled #213, 1989






Untitled #216, 1989






Untitled #359, 2000






Untitled #402, 2000






Untitled #458, 2007-8







Website da artista: aqui.
Fonte do texto e das imagens: aqui e aqui.

domingo, 30 de março de 2014

Hippolyte Bayard (1801-1887), Le Noyé (Self-portrait as a drown man), 1840

Ainda que a questão da paternidade do processo fotográfico não possa ser atribuída somente a um indivíduo, comummente, são considerados quatro nomes cujos esforços em muito contribuíram para o desenvolvimento e implementação da fotografia: Joseph-Nicéphore Niépce (1765-1833), Louis Daguerre (1787-1851), William Henry Fox Talbot (1800-1877) e Hippolyte Bayard (1801-1887).

Bayard foi, talvez, o mais auspicioso dos quatro nomes referenciados, tendo produzido um conjunto de imagens considerável e diversificado, para a época.

O francês acreditava que as suas descobertas, assim como os resultados obtidos, o colocavam à frente dos demais inventores. No entanto, não conseguiu esse reconhecimento por parte das autoridades que anunciaram Daguerre como o inventor do medium fotográfico.

Na sequência desta ocorrência, a 18 de Outubro de 1840, Bayard realiza uma série de três invulgares auto-retratos, que ficaram conhecidos por Le Noyé (Self-portrait as a drown man) (Imagens 1 a 3).

Nestes retratos vemos, numa pose de influência clássica, um indivíduo sentado, de tronco despido, de olhos fechados, envolto num lençol e rodeado de alguns adereços. A cor do tronco contrasta com a cor da face e das mãos. O homem parece estar adormecido.

Nas costas de uma das fotografias (Imagem 3) encontramos um peculiar texto manuscrito, assinado por 'HB' (Imagem 4).

Este texto fala-nos da imagem que vimos ou que estamos prestes a ver. 
Ficamos a saber que o homem da imagem é o falecido Senhor Bayard, o engenhoso inventor da fotografia. Por não ser reconhecido como inventor do medium por parte dos academistas, o inventor sucumbiu de desgosto e deixa-nos estas imagens que o atestam.

Estes auto-retratos põem em causa o (suposto) caráter mimético da fotografia e a relação de coincidência com o real, sendo particularmente interessante por ter sido feita, precisamente, nos primórdios do desenvolvimento do medium fotográfico e numa altura em que o caráter mecânico e imediato da fotografia se propunham como um substituto, por excelência, da pintura que era feita na altura.




Imagem 1




Imagem 2




Imagem 3




Imagem 4






Fonte das imagens:
POIVERT, M. (introd.) (2001). Hippolyte Bayard. Paris: Centre National de la Photographie. 

Fontes do texto:

BATCHEN, G. (1999). Burning with desire: the conception of photography. Cambridge, Mass.; London: The MIT Press.
POIVERT, M. (introd.) (2001). Hippolyte Bayard. Paris: Centre National de la Photographie. 
SCHWARZ, A. (introd.). (1987). Hippolyte Bayard: inventeur et pionnier de la photographie. Amiens: Maison de la Culture d'Amiens.
SOUGEZ, M. L. (2001). História da Fotografia. Lisboa: Dinalivro.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Tate Millerton, 'Evolution is convenient' (2009)

Tate Millerton é um fotógrafo e designer americano.

O trabalho 'Evolution is convenient' consiste numa série de fotografias instantâneas, duplamente expostas, onde nos são apresentados retratos que omitem a cabeça dos indivíduos, sendo esta substituída pelas suas mãos, segurando objetos.





Delaware Study





King of Gesso



Making prints from your face




Maybe not as fun as a camera, but extremely economical




Ping Pong Study




Pteranodon




Setting Traps




Throw Parties




We don't all have 20/20 in the future






Website do artista: aqui.
Fonte das imagens: website do artista.