segunda-feira, 17 de março de 2014

David Hockney (1937-)

David Hockney nasceu a 9 de julho de 1937, em Bradford, Yorkshire, Inglaterra. Estudou arte na Bradford College of Art e, mais tarde, em Londres, na Royal College of Art, notabilizando-se como pintor, cenógrafo, fotógrafo e gravador.

O interesse de Hockney pela fotografia começou com as fotografias instantâneas mas num contexto informal de registo dos diferentes momentos da vida privada. 

As imagens de Hockney são como desenhos feitos com uma câmara, compondo-se de fragmentos que usam a ilusão da representação para nos dar a ideia da realidade. 
O artista percebeu que podia criar novas formas e novas realidades a partir dos fragmentos que recolhia do todo – cada um era uma visão distinta, e cada uma delas requeria tempo de análise. Isso agradava ao artista. Hockney percebeu que as decisões que tomava quando fotografava eram semelhantes às decisões que tomava quando fazia um desenho descritivo. 

O todo é descontinuado para dar lugar a um novo todo unificado que vive do que a câmara registou, dos contornos brancos das películas que emolduram cada cena, das sobreposições feitas pelo autor, das repetições que se sucedem nas distintas imagens. 

Ao artista agradava-lhe a imprevisibilidade do resultado, semelhante às surpresas que podemos encontrar quando apreciamos cuidadosamente uma qualquer cena.

Hockney gosta de se incluir nas realidades que retrata. Com alguma frequência deixa uma mão, os pés, a sua sombra – algum indício que ateste a sua presença aquando da captura da imagem. Segundo o artista, a fotografia é forçosamente autobiográfica, por isso o fotógrafo tem de estar lá e misturar-se com a imagem.




Mother, Bradford Yorkshire, 1982



Celia’s Children Albert + George Clark, Los Angeles, 1982



Jogo de palavras cruzadas, 1983



Minha mãe, 1982





Website do artista: aqui.


Fonte das imagens e bibliografia do texto:
HOCKNEY, D. [et. al.] (1985). David Hockney: fotógrafo. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian.
Website do artista: http://www.hockneypictures.com/


sexta-feira, 14 de março de 2014

Yasumasa Morimura (1951-)

Yasumasa Morimura é um artista japonês, nascido em 1951 na cidade portuária de Osaka, formado em pintura pela Kyoto City University of Arts. 

Desde cedo teve contacto com a arte feita no Ocidente, dada a implementação que esta tinha (e tem) na cultura japonesa. Esta predominância da História da Arte Ocidental influenciou, determinantemente, o seu trabalho como artista.

 
Morimura é o modelo dos seus retratos fotográficos. Nestes, o artista apropria-se continuamente da História da Cultura, da História da Arte Ocidental e das mulheres, tanto da História como da História da Arte. 

Deste manancial de imagens, selecciona obras emblemáticas e (re)apresenta-as, (re)criando-as. 

De modo muito próprio e inclusivo, Morimura é parte integrante (e interveniente) de cada uma das obras que escolhe.

Ao tomar o lugar de personagens de outro tempo, de outro género e de outra cultura, Morimura destabiliza os pressupostos que não só estas imagens largamente difundidas e reproduzidas evocam, como também os referentes que qualquer um de nós detém sobre a questão do género, da raça, da nacionalidade e da identidade.



Portrait (Futago), 1990


Olympia, 1863, de Edouard Manet



An Inner Dialogue with Frida Kahlo (Hand-Shaped Earring), 2001


An Inner Dialogue with Frida Kahlo (Self-Portrait with Cropped Hair 1), 2001


An Inner Dialogue with Frida Kahlo (Flower Wreath and Tears), 2001




Fonte das imagens e bibliografia do texto:

KUSPIT, D. (2005). Daughter of Art History: Photographs by Yasumasa Morimura. New York: Aperture, cop.
Olympia, Edouard Manet, http://silverandexact.files.wordpress.com/2010/09/olympia-edouard-manet-1863.jpg

quarta-feira, 5 de março de 2014

Vik Muniz (1961-)

Vik Muniz nasceu em São Paulo e, atualmente, vivi e trabalha entre os Estados Unidos e o Brasil.

O trabalho deste artista deambula entre a homenagem e o jogo. Ele parte de um trabalho de seleção a partir do universo de imagens de referência já existente e (re)trata os modelos escolhidos, (re)criando-os.

Vik Muniz trabalha o retrato recorrendo ao reaproveitamento de materiais inusitados do quotidiano: geleia, açúcar, algodão, chocolate, lixo, terra, entre outros. Nos seus retratos, estes materiais adquirem novos significados e novos sentidos.

Antes de serem fotografados, os retratos de Vik Muniz têm a mão do artista que os elabora. 
O artista desconstrói imagens já existentes. 

Com a realização da fotografia, ele atesta a presença do retratado no novo retrato que criou. Trata-se, no entanto, de uma ilusão uma vez que o modelo que originou estes retratos não posou para o artista e era, já ele, uma duplicação do indivíduo. 




Double Mona Lisa, after Warhol (Peanut Butter + Jelly), 1999


Chuck, Pictures of Colors, 2001


Edson (Pele), Pictures of Magazines, 2003


Fernando Pessoa, 2007


Álvaro Siza, 2007




Website do artista: aqui.

Fonte das imagens e bibliografia do texto: 

OLIVARES, R. (2006). Vik Muniz: Jugando con el Arte. In EXIT A. 5, n. 21 (Feb./Abril 2006). (pp. 120-131). Madrid: Olivares y Asociados.
MARTIN, L. A. (ed.). (2005). Reflex: A Vik Muniz primer. New York: Aperture Foundation.
MUNIZ, V. [et. al]. (2007). Vik Muniz: A terra e a Gente. Coimbra: Centro de Artes Visuais.